Blog do Guga Sales Vilar

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sexta-feira, março 30, 2007

A onda populista

Quarta-feira, 28 de março de 2007
Correio Braziliense

A onda populista
Jorge Bornhausen


Deus queira não esteja se repetindo no Brasil o que Winston Churchill denunciou no histórico discurso de 5 de março de 1946 em Foulton, Missouri, nos Estados Unidos. O velho estadista inglês, a quem a democracia tanto deve no enfrentamento direto ao nazifascismo na Segunda Guerra Mundial, anunciou ao mundo o pesadelo que levaria quatro décadas para terminar: a Cortina de Ferro. Precisamente, de 1946 até novembro de 1989, com a queda do Muro de Berlim, foram 43 anos de incerteza e medo, período de tempo que não se dilui facilmente na História, apesar da velocidade que vivemos desde o século passado. A Cortina de Ferro, que na época ninguém ainda havia tido coragem de admitir, transformou nações livres e identidades culturais riquíssimas em satélites sem voz e sem voto, dominadas pela violência, a delação e o medo. Não apenas dividiu o mundo, mas escravizou povos livres sob o tacão stalinista. Principalmente, prenunciou o início da Guerra Fria mantendo o mundo sob ameaça de uma guerra nuclear que por muito pouco não ocorreu. Em março de 1946, Churchill disse: “Eis que uma cortina de ferro foi arriada sobre o continente europeu...” Naqueles dias, com o mundo cansado de batalhas cruentas em terra, mar e ar, e com as cicatrizes recentes da Segunda Guerra, o conflito que havia sido encerrado com a explosão das primeiras bombas atômicas, Churchill disse o que ninguém queria ouvir. Na contramão do otimismo, admitiu que estava iniciada nova guerra. Em vez de mentiras convenientes, preferiu “a verdade inconveniente.” Felizmente, como todas as verdades, as verdades inconvenientes, por mais dolorosas, precisam apenas de tempo para serem comprovadas. Vivemos hoje situação assemelhada à que experimentava a humanidade em 1946.
A Nova República, que ajudamos a conquistar e implantar nestes 20 anos, seja no governo, seja na oposição, criou excepcionais condições de desenvolvimento político ao país, com imperfeições que podem ser perfeitamente superadas se não formos atropelados por ondas de corrupção e cinismo, pela negação da ética e da moral, pela incompetência e loteamento da administração entre grupos tratados como se fossem quadrilhas, jamais expressões político-partidárias ou ideológicas. Esse avanço civilizatório está ameaçado pela onda populista. Infelizmente, não como profeta, avisando o que se pode evitar que aconteça, mas, como testemunha atenta da realidade – venho chamar a atenção para o fato de que o populismo já estende sobre o país sua sombra aliciadora, falsamente cordial. Acena com a convivência fraternal, facilitando negócios e fechando os olhos aos golpes para chantagear os inescrupulosos que se julgam espertos. O populismo não tem bandeira, e a experiência brasileira do Estado Novo mostra que não foram apenas democratas, liberais, socialistas e conservadores que amargaram perseguições. Radicais extremistas, tanto comunistas como fascistas, depois de usados como pretextos pelo governo, foram perseguidos, torturados e assassinados justamente quando imaginavam ser mais fácil assaltar revolucionariamente o poder. Devemos reconhecer que o populismo que se abate sobre o Brasil já controla o governo. Prevaleceu nas últimas eleições e avança, sorrateiramente, aos poucos, por todas as classes econômicas e sociais, corrompendo, aliciando, degradando, ampliando lucros, ameaçando a classe média, ludibriando os mais pobres, esgarçando o tecido político-social para dominá-lo mais facilmente. O populismo é a pior das doenças que pode acometer uma democracia.

Lula da Silva não se dá por satisfeito e quer aumentar a "extorsão"

BRASÍLIA - O Democrata José Carlos Aleluia denunciou nesta quinta-feira que o governo Luiz Inácio Lula da Silva quer impor um tipo de penhora online "sem passar pela Justiça. Penhora online pode ocorrer quando há uma decisão transitada em julgado, nunca em primeira instância. Isso é uma ofensa, uma violência contra o cidadão".
O Brasil é um dos campeões em carga tributária, lembrou Aleluia, mas, segundo ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não se dá por satisfeito e quer aumentar a "extorsão".
"Agora, Lula pretende usar métodos arbitrários para ampliar a arrecadação, a partir de uma medida voltada à agilidade das cobranças de tributos, sem que isso ocorra por meio da via própria, que é o Judiciário. Na prática, o Executivo quer realizar penhora sem autorização judicial", criticou.
O parlamentar disse que Lula repete o regime militar, que instituiu a execução extrajudicial. Naquele processo, o devedor sofria a imposição do Estado, ao ser despojado de seus bens, sem poder recorrer ao Judiciário para defender os seu direitos.
"O que o governo Lula quer fazer é um absurdo. A medida é ilegal e arbitrária. Coisa de ditador. É o caminho traçado por Hugo Chávez na Venezuela", criticou o democrata.
Aleluia informou que um texto do Executivo com essa proposta foi levada ao conhecimento dos ministros do Supremo Tribunal Federal.
"O governo tem uma série de documentos sobre o assunto, mas acredito que os ministros do Supremo não farão essa análise prévia. Não é função do STF ser consultor do presidente da República", alertou.
Aleluia declarou que vai combater em plenário a proposta do governo Lula.


http://www.democratas.org.br/node/85