Blog do Guga Sales Vilar

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quarta-feira, fevereiro 21, 2007

CORAJOSO DEPOIMENTO DE JARBAS PASSARINHO 20 FEV 2007 Estadão



20 de fevereiro de 2007 Jornal O Estado de São Paulo

Por Jarbas Passarinho (*)
A esquerda revanchista, quer integre o governo petista ou não, quando se refere ao Exército e seu relacionamento com ele, costuma dizer que "o Exército de hoje é muito diferente do de ontem". O âmago da frase é uma espécie de justificativa do convívio cordial com a gente castrense. Claro que o de ontem para eles, é o que os combateu e o de hoje é o que, desarmado de espírito, crente na reconciliação dos brasileiros, foi ao extremo de condecorar o ex-guerrilheiro José Genoino com a Medalha do Pacificador, dada com parcimônia e que lembra o nosso patrono, o Duque de Caxias, que jamais humilhou vencidos. O nosso maior general, capaz de comandar ofensivas com viés napoleônico, serviu ao Império com lealdade e desambição, seja debelando rebeliões no território nacional, seja na guerra contra o Paraguai do tirano Solano López. Paralelamente, no mesmo século as colônias hispânicas e seus vice-reinados foram libertados pelo general San Martín, argentino, e pelo general Bolívar. Muitos dos oficiais que os seguiram se transformaram em ditadores, no que veio a ser a imagem do caudilho sul-americano. Caxias, se fosse do mesmo naipe, teria sido o ditador brasileiro, e não o poderoso comandante do Exército, que teria liquidado a Monarquia. Ao contrário, sua lealdade ao imperador foi total, mesmo quando sofreu ingratidões do próprio monarca. A Proclamação da República teve no marechal Deodoro da Fonseca o interveniente decisivo, levado a voltar-se contra dom Pedro II, que ele tanto respeitava, por circunstância que lembra a definição de imperativo categórico.
Diferente de Benjamim Constant e dos líderes civis que conspiravam contra a Monarquia, não era republicano. Foi o desastroso comportamento do Gabinete Ouro Preto o grande responsável pelas crises, a da Igreja e a dos militares. Foi Deodoro, o líder que cimentara a sua reputação na luta pelo Brasil, levado pela defesa da dignidade do Exército, que acabou tendo a missão de derrubar o Gabinete e, em conseqüência, a Monarquia. Logo deixou a Presidência da República, que Floriano Peixoto consolidou, passando-a depois aos ilustres presidentes civis que tivemos, enquanto prosperava a ditadura pessoal e por vezes duradoura dos generais sul-americanos. Em 1964, só por conveniência hipócrita, os que chamam de golpe militar fingem esquecer que até um comunista respeitável o chama de golpe preventivo. O adjetivo diz tudo, e mais ainda quando a expressão é precedida de "pré-revolução", a caracterizar a ameaça dos revolucionários, quer os marxistas-leninistas, quer os nacionalistas obcecados pelo antiamericanismo, quer, ainda, pela ambição do fronteiriço político a explorar os "pelegos" que sonhavam com uma cópia carbono do regime peronista. Pela primeira vez, os militares brasileiros assumiram diretamente o poder, não por ambição de mando, mas para nos defenderem da expansão do Movimento Comunista, que já se estendia do Rio Elba, na Alemanha derrotada em 1945, ao Caribe, na Ilha de Cuba, já dominados a China de Mao Tsé-tung, o Vietnã e a África, de que os comunistas aproveitaram as justas guerras de descolonização. Esse fato histórico, de nossos dias, as esquerdas brasileiras - com as exceções do estilo - tudo fazem para esconder, ou seja, a existência da guerra fria, dividido ideologicamente o mundo entre comunismo e anticomunismo. Ou se tomava um partido ou o outro. As Forças Armadas, pela quase unanimidade dos seus quadros, ficaram ao lado do justamente chamado mundo livre. Adestrados na China, ainda no governo João Goulart, comunistas brasileiros rompidos com a atuação soviética de Kruchev de coexistência pacífica com os Estados Unidos, buscaram o apoio de Mao e foram ser treinados para matar os brasileiros que a eles se opunham. Depois, Fidel Castro, que ficara ao lado da União Soviética, pretendeu, seguindo ordens de Moscou, ser a ponta-de-lança do comunismo na América do Sul. Treinou os guerrilheiros que, desde 1967, lançaram a luta armada fratricida e até financiou uma das guerrilhas pelos dólares soviéticos, via Cuba. Outras guerrilhas, até anteriores às brasileiras, atuavam nos países andinos. Coube, então, às Forças Armadas combater os insurgentes, que se mascaravam de defensores da democracia. Aarão Reis, então um estudante universitário em Minas, participou da luta armada, cooptado pelos comunistas, divididos em múltiplas facções. Foi preso e exilado. Em livro por ele publicado, teve a dignidade de desmentir a patranha dos "libertários que lutavam contra a ditadura". Escreveu e confirmou em entrevista que não lutavam por democracia, mas pela ditadura do proletariado, já que eram marxistas e leninistas convictos e, pois, partidários do regime de partido único, do modelo soviético. Os militares, de ontem, tiveram de cumprir a missão de vencê-los, na guerrilha urbana, inicialmente, e na rural, posteriormente. Cerca de 200 mortos regaram o solo da Pátria, enfrentando-os. Ainda hoje há valorosos combatentes que estão mutilados pela bomba que explodiu no Aeroporto de Guararapes, do Recife. Afora os cinco que foram mortos pela sanha assassina dos terroristas. Voltaram a matar, covardemente, um soldado sentinela do quartel do II Exército, de São Paulo, o corpo esfacelado pela explosão de um carro-bomba lançado contra o quartel. Não se trata dos suicidas do Médio Oriente. Fanáticos, mas ofereceram a própria vida para levar com eles a das vítimas. Se os esquerdistas que dividem o Exército de hoje e o de ontem pretenderem repetir os comunistas de ontem, perguntem se hoje seria diferente do Exército de ontem, na defesa da Pátria. Experimentem.

(*) Jarbas Passarinho, ex-presidente da Fundação Milton Campos, foi senador pelo Estado do Pará e ministro de Estado

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Luiz Inácio da Silva apoia o crime organizado e a guerrilha rural


19 de fevereiro de 2007
Marcola & Cia também nãoquerem diminuir a idadepenal.Do Observatório de InteligênciaPor Orion Alencastro
Apesar do Carnaval, é óbvio que repercutiu muito bem nos morros do Rio de Janeiro, no sistema carcerário e nos estabelecimentos de assistência ao menor infrator, o pronunciamento do Exmo. Sr. Presidente da República, feito na última sexta-feira, por ocasião da inauguração da nova central da poderosa transnacional Atento, do grupo Telefonica, na capital paulista. Diante de auditório de dirigentes do grupo, autoridades e de jovens candidatos ao primeiro emprego na empresa, Luiz Inácio da Silva condenou freneticamente a redução da maioridade para 16 anos, culpou o Estado e a sociedade pela criminalidade, assunto em discussão no Congresso Nacional.
O crime adorou a posição do presidente
A fala presidencial propagou-se e foi comentada em presídios e casas de menores, inclusive apreciada com muito agrado por líderes do crime organizado que cumprem pena no interior de São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e Espírito Santo. A repercussão do pronunciamento nos ambientes de reclusão foi percebida por agentes de inteligência e de segurança penitenciária. Familiares de sentenciados, em visita a presídios no fim-de-semana, comentaram o fato e, em alguns pátios, presidiários que tomavam sol lembraram da fala do Chefe da Nação, divulgada pela imprensa. Assim, depreende-se que o
A Casa Branca aprovou e a idadepenal de 16 anos na América teveo efeito desejado e consagrado pelaopinião pública.presidente cumpre orientação do Foro de São Paulo em não contrariar as organizações criminosas.
O crime organizado e os movimentos sociais radicais (MST...)logicamente não vêem com bons olhos as pressões e articulações para a diminuição da idade penal, pelo fato de adolescentes e jovens serem atraídos para o crime desde tenra idade e serem alvo do proselitismo revolucionário marxista dos movimentos sociais. Os menores são inimputáveis, protegidos pela lei e amparados por ONGs ideologicamente suspeitas. Eles desfrutam de mais liberdade para a prática de ações delinqüentes e manifestações de desafeto contra a ordem social.
FARC: o futuro garantido para o MSTOs comandantes do crime investem nas novas gerações como recursos humanos indispensáveis para a formação de quadros de operadores, capacitando-os para serem seus futuros líderes. A título de exemplo, o Movimento Sem Terra possui núcleos e escolas de ensino doutrinário, como é o caso do centro escola de guerrilha em Guararema/SP para formação do seu contingente de militantes, com instruções para a prática da radicalização contra a iniciativa privada, inclusive com instrutores de organizações criminosas, notadamente FARC, fato exaustivamente informado pela ABIN e conhecido pelo Palácio do Planalto, o qual libera recursos de sustentação financeira do governo. O curioso é que a reforma agrária até hoje não deu certo em nehum país do globo terrestre e a sociedade consciente nunca teve notícias e nem assistiu documentários que comprovem a produtividade dos assentados, a soldo do dinheiro da expropriação tributária oficial.
Igreja católica não gostou da fala presidencial
Luiz Inácio da Silva chamou a atenção do público presente ao evento da Atento, pelo discurso inflamado e por sacar a frase de efeito "Ainda vão querer punir fetos". Jovens na lateral do auditório comentaram que o presidente dava impressão de ter tomado "guaraná" para se expressar daquele jeito. Nos meios católicos a referência à palavra feto causou arrepios e ecoou na Cúria Metropolitana, pois a Igreja de Bento XVI acompanha o movimento mundial dos núcleos de opinião pública, de influência socialista, inclusive no Brasil, com apoio do PT e de outros partidos de esquerda para a legalização do aborto, prestes a ser regulamentado em Portugal.
A expansão e ameaça do crime organizado à paz social começou com José Sarney, no afrouxamento paulatino dos costumes e da ordem, aplaudido pela esquerda e por políticos inconseqüentes do revanchismo e o silêncio cínico de intelectuais e artistas que passaram a se alimentar melhor com a instituição da Lei de Incentivos Fiscais à Cultura. Atores e artistas plásticos não saem mais às ruas para defender a sociedade. Nem contra o crime. Talvez, pela vergonha de terem servido às intenções do partido mais corrupto da história contemporânea, o PT.
Discursos inoportunos quedesarticulam a formação da opiniãopública, mantendo o povo ignoranteCrime é conseqüência de maus políticos
Um Estado, cujos políticos não entendem que a saúde, o saneamento, a educação, o trabalho e a segurança pública estão na sala de espera da UTI, está fadado ao domínio dos aproveitadores e do crime organizado pela vulnerabilidade da segurança sócio-econômica da sociedade.
O presidente Luiz Inácio da Silva se afigura como dissimulador, inconscientizador e covarde. Sempre evita atribuir a culpa e a responsabilidade do crime organizado à classe política, a mesma que engloba os trezentos picaretas do Congresso por ele acusados, em passado recente. Isso sem falar do chefe da quadrilha que tinha assento na Casa Civil. A sociedade não tem culpa, ela é vítima da inação dos seus dirigentes, que ocupam os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, dentro da responsabilidade maior pelas obrigações do Estado Federativo.(OI/Brasil acima de tudo).

domingo, fevereiro 18, 2007

O bloco dos deprimidos

Texto retirado da Folha de São Paulo, de 17 de fevereiro de 2007.
Muito interessante... Faz refletir.


Autor: Luiz Caversan

É Carnaval/ é a doce ilusão/ é promessa de vida/ no meu coração.Quando surgiram esses versos, 15 anos atrás, o Carnaval ainda era uma possibilidade. De ilusão, de promessa de vida, de alegria no coração. Tratava-se, na poesia dos sambistas da Mangueira, de homenagear o maestro Tom Jobim, no samba-enredo de 1992, "Se Todos Fossem Iguais a Você".Hoje, aos ver as páginas dos jornais multicoloridas pela estética da chamada folia, do extravasamento, da alegria-que-me-leve-daqui, a interpretação que me surge é outra, exatamente oposta: doce ilusão essa, de que haverá promessa de vida no coração só porque todos estão felizes, ou assim aparentam, sabe-se lá porquê.Cara chato, este, não, que vem com essa conversa deprê em pleno Carnaval?Verdade, "não combina..."Quando anos atrás pensava em escrever um livro sobre depressão, um dos títulos que passou pela minha cabeça foi justamente esse: "A Depressão no País da Alegria". Cheguei até a desenvolver algumas idéias a respeito desse paradoxo, que opõe a condição de não-alegria que acomete aproximadamente um em cada dez cidadãos (só para ficar nos diagnósticos clássicos de depressão) à zorra em que se transforma o país nesta época do ano.Numa conversa com o psiquiatra Wagner Gataz, da USP, ele abordou justamente essa questão, a de uma certa "falta de ambiente" para o deprimido no Brasil.Em resumo, disse o seguinte: "Quando o finlandês ou o alemão está deprimido no inverno, ele tem uma desculpa boa: o tempo escuro, as pessoas são muito frias, o clima é muito ruim. No Brasil, nós sabemos que temos tantos depressivos quanto na Alemanha ou na Finlândia, só que aqui nós não temos essa desculpa que os europeus do norte tem. É até pior, porque a pessoa pensa: "Puxa, eu moro no Rio de Janeiro, eu tenho tudo, tenho sucesso na vida etc., como é que eu estou assim? Eu não tenho o direito de estar assim".A condição de inadequação à sociedade em que todos devem ser vencedores, não se pode esmorecer jamais, qualquer titubeio (não é, caro executivo?) é sinônimo de fracasso tornou-se uma realidade cotidiana para os menos-felizes, os menos-iguais, o que evidentemente estigmatiza o deprimido.Imagine então a proporção que a coisa toma na época em que todos são praticamente obrigados a serem felizes?Bem, isso talvez ocorra porque a gente não tem o poder de saber exatamente o que ocorre por detrás de todas aquelas fantasias e de seus adereços, para enxergar o que ocorre de fato na cabeça de cada um, entre os versos da felicidade fabricada...Ok, mas já que é Carnaval, e Carnaval é música, vamos a uma pequena vingança musical, em resposta ao skindô-skindô nacional, relembrando algumas canções ou trechos delas:"Tire o seu sorriso do caminho/ que eu quero passar com a minha dor" (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito)"Tristeza não tem fim/ felicidade, sim"(Tom Jobim e Vinicius de Moraes)"Bom dia tristeza Que tarde tristeza Você veio hoje me ver Já estava ficando até meio triste De estar tanto tempo longe de vocêSe chegue tristeza Se sente comigo Aqui nesta mesa de bar Beba do meu copo Me dê o seu ombro Que é para eu chorar Chorar de tristeza Tristeza de amar"(Bom Dia, Tristeza, de Vinícius de Moraes e Adoniran Barbosa).



Luiz Caversan, 50, é jornalista. Foi repórter especial e diretor da Sucursal do Rio da Folha. Escreve crônicas sobre cultura, política e comportamento aos sábados para a Folha Online.